Português imita

Este ano, passei o feriado de Carnaval a trabalhar, mais propriamente fazendo imagens dos carnavais de Ovar e Estarreja. Meus amigos, cheguei à triste conclusão (ou antes à infeliz e definitiva confirmação) de que o Carnaval português é mesmo triste. Ele é carros alegóricos que mais parecem betoneiras cobertas com papel celofane, ele é gordalhufas brancas a sambar, ele é homens vestidos de mulher (isto é o pior), ele é figurantes alegremente semi-despidos a sambar ao ar livre com a belíssima e agradável temperatura de 16 graus. Enfim, toda uma panóplia de elementos que, mais do que provavelmente, levam os brasileiros à maior das risadas.

Mas Portugal é assim. O que é de fora é sempre melhor. É o Carnaval, que é, cada vez mais, uma imitação foleira do que se faz nas terras do samba em detrimento do nosso próprio carnaval e respectivas tradições, é o Halloween (um dia ainda me hão-de explicar qual é a piada disto), são as séries televisivas (alguém vê o Liberdade 21, na RTP? Vejam, por favor), são os talk-shows (lembro-me vagamente do Boca-a-boca, com o Carlos Moura, uma terrível imitação do Conan O'Brien e Jay Leno). Mas porquê? Recordo com saudade os tempos do Duarte e Companhia, do Vamos ao Circo, do carnaval onde as máscaras eram bem mais importantes do que o samba ou carros alegóricos, até mesmo os tempos em que o campeonato português de futebol era composto por portugueses.

E agora é o acordo ortográfico, que segundo consta vai entrar em vigor já no primeiro semestre do ano. Modernices...