Esta vida surpreende-nos constantemente. Há cerca de duas semanas estava eu em casa, afogado no tédio e completamente perdido nos meus pensamentos ligados à inutilidade da minha vida naquela altura quando, após duas horas de zapping mecânico, cheguei a duas conclusões. A primeira é que os cerca de 50 canais que tenho em casa não dão nada de jeito quando não temos nada pra fazer. Claro está que, caso estejamos com algo importante em mãos mas terrivelmente aborrecido, qualquer programa nos parece interessante, mesmo até aquelas rusgas policiais do Fox Crime. A segunda é que já estava na hora de preencher o meu tempo livre com algo que, com maior ou menor exigência, me ajudasse a ganhar algum ritmo e fluência de "trabalho". "Epá", pensei eu, "vou criar um blog para partilhar com o mundo toda este rol de emoções, sentimentos e experiências infelizes que gerem a vida de um recém-licenciado desempregado". E assim foi. Crio o blog, dou-lhe um nome, publico o primeiro post. Contemplo a minha obra orgulhoso, qual Picasso depois de uma pintadela na tela (nada de segundos sentidos). "Está bonito", pensei. É um facto, está bonito. Coço o nariz, ajeito o cabelo e fecho a janela do Internet Explorer, convencido que, em breve, lá voltaria para publicar um segundo post. Na inocência da minha pessoa, imaginava-me alegremente a actualizar o blog quase que diariamente, com experiências ou piadas, enfim, qualquer coisa.
Mas não.
Algures no meio desta aventura plena de emoção e acontecimentos interessantes (weee), arranjei emprego. Estão a ver aquela sensação que sentimos quando estamos meia hora à espera do autocarro e ele não aparece, puxamos dum cigarro, acendemos e lá vem ele, a dobrar a esquina, com os faróis apontados para nós como quem diz "então agora é que te lembraste de fumar?" Eu não fumo, mas imagino que seja uma sensação de alegria e plena satisfação microscopicamente afectada por uma pontinha de chatice.
E neste momento aqui estou, a trabalhar, ocupadíssimo mas feliz da vida. E se ainda não desisti disto é porque descobri que, afinal, há quem tenha interesse em ler as minhas parvoíces. Vamos andando e vamos vendo.
Mas não.
Algures no meio desta aventura plena de emoção e acontecimentos interessantes (weee), arranjei emprego. Estão a ver aquela sensação que sentimos quando estamos meia hora à espera do autocarro e ele não aparece, puxamos dum cigarro, acendemos e lá vem ele, a dobrar a esquina, com os faróis apontados para nós como quem diz "então agora é que te lembraste de fumar?" Eu não fumo, mas imagino que seja uma sensação de alegria e plena satisfação microscopicamente afectada por uma pontinha de chatice.
E neste momento aqui estou, a trabalhar, ocupadíssimo mas feliz da vida. E se ainda não desisti disto é porque descobri que, afinal, há quem tenha interesse em ler as minhas parvoíces. Vamos andando e vamos vendo.