O começo

Li no outro dia numa revista masculina relativamente conceituada dentro do género (não convém dizer o nome por princípios publicitários, mas posso dizer que começa num F, acaba num M e tem um H no meio) que um blogue consiste, nada mais, nada menos, num, passo a citar, "vomitar de emoções, pensamentos e outras parvoíces, esperando comentários e citações de outros blogues. São como a poesia moderna: há mais gente interessada em escrevê-los do que em lê-los". Devo dizer que concordo. No entanto, não posso deixar de estabelecer uma certa comparação entre esta afirmação sobre os blogues e a prática do coito. Há muito mais gente interessada em praticar o coito do que em assistir à prática do mesmo, e, no entanto, isso não significa que não existam bons praticantes desse dito coito cujo desempenho seja merecedor da devida atenção. Na mesma linha de pensamento, mas por outro lado, caso o desempenho fique aquém das expectativas, a malta, uns mais outros menos, diverte-se na mesma.

Foi assente nestes princípios que me resolvi aventurar nesta coisa dos blogues. Por variadíssimas razões. Duas, mais precisamente. Primeiro porque, precisamente por haver mais gente interessada em lê-los do que em escrevê-los, já quase toda a gente tem um e eu não gosto de ficar atrás nestas coisas da moda, e depois porque sou português, entenda-se fala-barato por natureza, que se acha no direito de comentar e criticar tudo e todos, considera-se o maior e, no final de tudo, é simplesmente estúpido.